O MuMan – Museu da Mantiqueira

O Museu da Mantiqueira é um museu virtual que entende a cidade como um museu a céu aberto. Nosso objetivo é estudar o sujeito mantiqueirense, seus modos de ser e estar na Serra da Mantiqueira, seu patrimônio cultural.

O MuMan teve seus primeiros conceitos formatados e publicados em 2013, desde então o projeto criou percursos de amadurecimento conceitual. Atualmente, podemos defini-lo em poucas palavras: o Museu da Mantiqueira é um museu virtual que pensa o território como um museu a céu aberto e utiliza dispositivos digitais para musealizar o patrimônio cultural do mantiqueirense, ou seja, criar narrativas, percursos expográficos e experiências pela cidade, com o intuito de difundir e salvaguardar os modos de vida deste sujeito.

Nesse sentido, são nossos objetos museológicos os seus costumes, tradições, anseios, religiosidades, hábitos alimentares, ofícios, expressões artísticas, causos, festas, diversões, práticas econômicas, políticas e suas maneiras de relacionar com a terra, animais e pessoas. Ou seja seu patrimônio cultural.

Como todo museu, o MuMan possui um acervo, porém digital, que está dividido em três eixos: Acervo Audiovisual, composto por entrevistas de história oral, realizadas com a comunidade local; Acervo Iconográfico, formado por fotos digitalizadas de acervos públicos ou privados e Acervo Documental, constituído por documentos e jornais digitalizados de diferentes acervos da cidade.

Como já falamos anteriormente, a Mantiqueira é um território extenso, dotado de uma rica diversidade cultural que deve ser respeitada. Partindo desse princípio, o MuMan atua a partir de recortes geográficos que dividem a Serra da Mantiqueira em microrregiões, ou seja: para a pesquisa, o território Mantiqueira foi dividido em vários grupos de cidades que possuem ligações e paralelos históricos, econômicos, culturais, políticos e geográficos. Dessa forma, cada pesquisa do MuMan acontece dentro de uma microrregião. Todavia, essas microrregiões não são estáticas, elas poderão se modificar conforme os diagnósticos de ação e suas relações sociais e históricas.

Como exemplo temos a primeira microrregião traçada para execução da fase piloto do projeto que abarca as cidades: São Bento do Sapucaí SP, Sapucaí Mirim MG, Campos do Jordão SP, Santo Antônio do Pinhal SP, Monteiro Lobato SP, Gonçalves MG, Paraisópolis MG, São Francisco Xavier SP (distrito de São José dos Campos SP), Luminosa MG (distrito de Brazópolis MG). A cidade escolhida para receber a fase piloto foi São Bento do Sapucaí SP, por ter tido um papel protagonista na região em outras conjunturas históricas. É possível adicionar outras cidades, remanejar algumas para outras microrregiões, enfim, existe essa maleabilidade que está sendo construída a partir das pesquisas.

Para trabalhar os objetivos do projeto, foi desenvolvida uma metodologia baseada em 5 linhas de ação: Diagnóstico, Evento Mantiqueira Cultural, Projetos para Pesquisa de Acervo, Ações Socioeducativas e Programa Mantiqueira Viva. Dessa forma desenvolvemos uma série de técnicas aplicáveis em toda a Mantiqueira, que exige algumas adaptações inerentes a cada região. A primeira aplicação de todas as linhas de ação do MuMan foi chamada de fase piloto e aconteceu em São Bento do Sapucaí entre 2014 e 2016. Foi um período de trabalho de campo e de revisões teórico-metodológicas do projeto.

Tivemos dois períodos importantes dentro da fase piloto. O primeiro se desenvolveu entre 2014 e 2015, marcado pela pesquisa prévia, pelo levantamento de acervo e pelo lançamento oficial do projeto com a execução do evento Mantiqueira Cultural. Assim sendo, em 2014, iniciamos com o Diagnóstico dos patrimônios históricos, culturais, ambientais, bem como as potencialidades turísticas e economicamente criativas. É um documento importante que embasa o desenvolvimento das demais pesquisas. Logo em seguida, iniciamos os Projetos para Pesquisa de Acervo no qual foram digitalizados documentos, fotos e jornais de diversas instituições públicas como Câmara Municipal e Prefeitura Municipal, e instituições privadas, como a Casa da Cultura Miguel Reale e acervos pessoais de famílias.

As atividades para compor o principal acervo do MuMan, o Acervo Audiovisual, também se iniciaram em 2014 com uma coleta de depoimentos dos moradores locais utilizando a metodologia da história oral. Todavia, as gravações continuaram por toda a fase piloto para que se recolhesse o maior número de depoimentos possíveis: ao todo são 25 entrevistas, com 30 horas de gravação feitas em áudio e vídeo. As entrevistas são pautadas em um roteiro de história de vida que foi sendo aprimorado até chegar em sua versão final, que poderá ser replicado em toda a Mantiqueira.

Em junho de 2015 aconteceu o evento Mantiqueira Cultural na Casa da Cultura Miguel Reale. Reunimos 10 iniciativas culturais da cidade, das mais diversas linguagens, que apresentaram seus projetos, suas dificuldades e suas perspectivas. Foi o momento em que apresentamos o MuMan para a comunidade e lançamos dois documentários baseado nas entrevistas realizadas. Dentro da nossa metodologia, este evento se mostrou promissor para estreitar laços e criar uma rede entre integrantes do setor cultural, representantes políticos e comunidade em geral.

O segundo período da fase piloto se estendeu por todo o ano de 2016 e é marcado pela execução de projetos baseados no acervo do museu, que, por sua vez, já estava coletado e organizado. Em junho de 2016, pertencendo à linha de ação Ações Socioeducativas, foi realizada a oficina “Postal da Memória” na qual os participantes escolheram elementos da sua região que os representavam culturalmente para, então, retratá-los em cartões postais utilizando técnicas de xilogravura, ensinada pela Artista Plástica Mariana Ardito, com o suporte dos artistas Samuel Ornelas e Rafael Kenji.

Ao longo de 2016 também estava em desenvolvimento o projeto protagonista do MuMan que materializa o objetivo do museu por ser um dispositivo digital que explora um percurso expográfico pela cidade, aproximando o ouvinte ao modo de vida local – é o “Audioguia Caminhos da Memória: a cidade como museu, o sujeito como patrimônio”. Contemplado pelo ProAc de Economia Criativa de 2015, o audioguia consiste na elaboração de uma cartografia afetiva e de um percurso expográfico dentro da cidade, no qual quem conta sobre cada lugar são os próprios moradores. São 18 pontos de parada, três quilômetros e duas horas de áudio que pode ser baixado gratuitamente no celular ou acessado por aplicativos de streaming, como SoundClound.

Os pontos escolhidos são fruto do levantamento e do cruzamento dos lugares de memória identificado nas 25 entrevistas que compõem o Acervo Audiovisual. Dentro dos princípios do MuMan, não faria sentido que esses pontos de paradas fossem uma imposição, pois a proposta é conhecer a cidade pela ótica da comunidade e se aproximar do cotidiano e do modo de vida local. É uma proposta para intensificar o contato do visitante com outras perspectivas identitárias, outros sabores, outros paradigmas e, o mais importante diante de todo o nosso debate aqui, outros estilos de vida.

O audioguia acompanha um mapa impresso, uma cartografia afetiva da cidade, um mapeamento que opera na multiplicidade de sentidos atribuídos pelos moradores a essa paisagem, sua topografia e seus patrimônios materiais. Grosso modo, podemos chamar tais interpretações e sentidos de cultura imaterial, de patrimônio cultural. É um caleidoscópio de territorialidades, no qual o ouvinte é convidado a experienciar o território por meio das memórias e dos sentidos atribuídos pelos moradores locais.

Não existe sujeito sem memória, não existe território/paisagem sem sujeitos que o habitam. Dessa forma é possível proporcionar para a comunidade, a redescoberta do seu território, reforçando os laços de pertencimento cultural, fortalecendo a identidade afirmativa do espaço, o sentimento de autoestima, valorizando os seus modos de vida. Quando uma comunidade conhece sua história, entende-se e se valoriza enquanto patrimônio cultural, para que elas se assumam como protagonista desse território e criem meios para promoção da autogestão dos seus recursos culturais, naturais e econômicos.

Conheça também

Facebook: @museudamantiqueira

Instagram: @muman.museu

Youtube: Museu da Mantiqueira

SoundClound: Museu da Mantiqueira

Ouça o Audioguia

Veja mais conteúdos

MAPA DO AUDIOGUIA FRENTE: https://issuu.com/museudamantiqueira/docs/mapa_audioguia_verso2017

Apresentação no Prezi utilizada no lançamento do projeto em 2015: https://prezi.com/gw2vwtlxb5jf/museu-da-mantiqueira-muman/

Registro oficial do museu: http://museus.cultura.gov.br/espaco/7899/

Memória Cast do Itaú Cultural com Diana Poepcke, idealizadora do Museu da Mantiqueirahttp://www.itaucultural.org.br/explore/canal/detalhe/diana-poepcke-memoriacast-4/

Apresentação do Museu da Mantiqueira no 8 Encontro Paulista de Museus: https://youtu.be/tqQpeFeRnCM

Jornal Futura – Participação Diana Poepcke em reportagem sobre museus virtuais: https://youtu.be/Zk3PeT91jOQ

Audioguia do G1: http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2016/12/museu-cria-audioguia-para-turistas-em-sao-bento-do-sapucai-sp.html

Reportagem sobre o MuMan no Itaú Cultural: http://www.itaucultural.org.br/museu-da-mantiqueira-muman-e-a-riqueza-do-patrimonio-imaterial